Macron convoca ministros após violência em protestos na França
Organizadores estimam mais de 450 mil manifestantes; Ministério do Interior contabiliza 250 mil. Mobilização cobra melhorias na educação.
Em resumo
- Organizadores estimaram mais de 450 mil manifestantes; o Interior contabilizou 250 mil.
- Macron convocou ministros após confrontos e episódios de violência.
- O governo pediu propostas para melhorar as escolas até o fim de outubro.
O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou ministros para uma reunião nesta terça-feira, 6 de outubro, após episódios de violência em protestos contra as condições das escolas que se espalharam pelo país. Organizadores estimaram que mais de 450 mil pessoas participaram dos atos, enquanto o Ministério do Interior contabilizou 250 mil manifestantes. A reunião deve discutir a resposta do governo à mobilização, que reúne estudantes, professores e pais.
Protestos e reivindicações
Os atos começaram em setembro nos subúrbios de Paris e ganharam dimensão nacional. Em Estrasburgo, Lyon e Rennes, houve confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. Em outras cidades, participantes reivindicaram mais recursos para a educação, melhorias na infraestrutura escolar e aumento do número de funcionários.
Professores também se juntaram aos estudantes. Erwan Le Clech, representante sindical e professor de ciências, afirmou que a situação nas escolas se deteriora há anos, com falta de reformas, construção insuficiente de unidades e escassez de pessoal. A professora Anne Tritz disse que a falta de funcionários também afeta o ensino fundamental. Já Caroline Quiniou, que leciona em Créteil, citou problemas no sistema de acesso ao ensino superior Parcoursup.
As estimativas de público divergem: organizadores falaram em mais de 450 mil participantes em todo o país, e a União dos Estudantes indicou 100 mil em Paris. O Ministério do Interior registrou 250 mil manifestantes.
Governo anuncia resposta
Macron convocou, entre outros, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e o ministro da Educação Nacional, Édouard Geffray. Lecornu condenou a violência e informou que 215 estudantes ficaram feridos nos episódios recentes. Segundo ele, também se feriram 85 funcionários de escolas — incluindo 34 diretores e vice-diretores — e 715 policiais e integrantes da polícia militar.
O primeiro-ministro pediu aos ministros propostas até o fim de outubro. Entre as reivindicações que o governo pretende avaliar estão a substituição de professores ausentes, a duração do dia letivo, que vai das 8h às 18h, intervalos de almoço mais longos e reparos em prédios escolares antigos. Geffray reconheceu a necessidade de melhorar as condições, especialmente no ensino médio.
Grupos de direitos humanos, estudantes e associações de pais acusam as autoridades de usar força desproporcional contra menores. O governo, por sua vez, afirma que pessoas de fora infiltraram os protestos e contribuíram para a violência urbana. O Ministério do Interior informou que 6.100 pessoas foram detidas desde o início das manifestações, a maioria menores. Manifestantes afirmam que as medidas anunciadas não atendem plenamente às reivindicações, enquanto o governo enfrenta pressão para conter o déficit orçamentário.