Katie Zacharia deixa cargo de porta-voz da Casa Branca
Saída ocorreu em 16 de outubro, menos de uma semana após a nomeação; estreia criticada e questionamentos sobre credenciais jurídicas marcaram a passagem.
Em resumo
- Katie Zacharia deixou o cargo menos de uma semana após assumir.
- Sua primeira coletiva recebeu críticas por duração e poucas perguntas.
- Ela reconheceu que não passou no exame para exercer a advocacia nos EUA.
Katie Zacharia deixou o cargo de secretária de imprensa da Casa Branca nesta sexta-feira (16), menos de uma semana depois de assumir a função. A saída ocorreu após críticas à sua primeira coletiva e questionamentos sobre a forma como ela apresentava suas credenciais jurídicas. Assessores da Casa Branca relataram a demissão, mas o governo dos Estados Unidos ainda não havia confirmado oficialmente a informação até uma das atualizações publicadas naquele dia.
Pressão após a primeira coletiva
Zacharia havia sido escolhida por Donald Trump em 9 de outubro para substituir Karoline Leavitt, que deixou o posto para se dedicar à família. A nova porta-voz, ex-comentarista de televisão e colaboradora de empresas ligadas ao presidente, ficou no cargo por cinco dias, segundo relatos sobre sua passagem pela função.
A estreia no púlpito, em 13 de outubro, durou cerca de 14 a 15 minutos e abriu espaço para perguntas de apenas três jornalistas. Zacharia não soube responder a uma delas. Durante a coletiva, ao falar sobre conciliar o trabalho com a maternidade, confundiu Trump com o marido e corrigiu a frase em seguida. Ela disse que pretendia reservar tempo para o presidente falar diretamente com os jornalistas e admitiu que poderia ter feito apenas uma apresentação, sem perguntas.
Trump afirmou que aconselhou Zacharia a reconsiderar o cargo. “Sinceramente, se eu fosse você, reconsideraria”, disse, ao relatar a conversa. O presidente elogiou a lealdade da assessora e declarou que ela havia sido maltratada pela imprensa, mas também avaliou que a função talvez não fosse adequada para ela.
Questionamentos sobre as credenciais
A controvérsia sobre a formação profissional de Zacharia ganhou força depois de Trump apresentá-la como advogada. Formada em Direito pela Universidade Pepperdine em 2011, ela reconheceu em entrevista na quinta-feira (15) que não passou no exame necessário para exercer a advocacia nos Estados Unidos e que não repetiu a prova. Zacharia explicou que, na época, estava recém-casada e se preparava para se mudar para a China, onde o marido trabalhava.
Ela afirmou que recebeu orientação para usar o termo “lawyer”, associado à formação e à experiência internacional que dizia ter, mas não “attorney” ou “esquire”, denominações relacionadas à habilitação profissional. Sobre publicações de terceiros que a identificavam como “attorney”, disse que eram compartilhamentos e não significavam que endossava esse título.
Antes de assumir o cargo, Zacharia também havia trabalhado na comunicação do Departamento de Segurança Interna e na organização conservadora Fix California.