Petróleo Brent deve ficar perto de US$ 90 até o fim de 2026
Mediana de nove projeções aponta US$ 87 no quarto trimestre e US$ 80 em 2027; EIA elevou estimativas para os dois anos.
Em resumo
- A mediana de nove projeções prevê Brent a US$ 87 no quarto trimestre de 2026.
- A EIA elevou a estimativa média para US$ 96 em 2026 e US$ 84 em 2027.
- A escassez de diesel e gasolina preocupa mais que a de petróleo bruto.
O petróleo Brent deve permanecer em patamar elevado até o fim de 2026, com projeções que chegam a US$ 90 por barril no quarto trimestre e alívio limitado no ano seguinte. A mediana de nove estimativas indica US$ 87 no último trimestre deste ano e média de US$ 80 em 2027, em meio à incerteza sobre os fluxos de petróleo no Oriente Médio após mais de sete meses de guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Projeções de bancos e consultorias
A analista Kim Fustier avalia que o mercado não deve se reequilibrar antes de meados de 2027. Em um cenário de impasse, com diplomacia sem avanço e fluxos restritos, os estoques poderiam cair a níveis operacionais baixos e levar o barril a cerca de US$ 120.
O Commerzbank também revisou sua previsão para o fim do ano, de US$ 75 para US$ 85. O Goldman Sachs espera que o Brent recue para US$ 85 até dezembro e fique em US$ 80 em 2027, apoiado pela recuperação das exportações do Golfo e pela adaptação da oferta e da demanda. O banco, porém, considera que uma nova escalada capaz de danificar instalações de energia poderia provocar alta significativa nos preços.
O Citi mantém uma perspectiva mais favorável: prevê média próxima de US$ 65 à medida que 2027 avança, caso discussões sobre diplomacia regional contribuam para a retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho.
Estoques e combustíveis refinados
Raphael Faucz, vice-presidente da Rystad Energy no Brasil, afirmou que os fluxos na região seguem frágeis e que custos elevados de frete e estoques baixos sustentam os preços. Segundo ele, cerca de 16 milhões de barris estão saindo atualmente pelo Estreito de Ormuz. Faucz também disse que o Brasil importa 25% do diesel que consome e que possíveis restrições às exportações dos Estados Unidos poderiam apertar o mercado nacional.
A Agência Internacional de Energia aponta que a escassez está mais aguda em derivados, como diesel e gasolina, do que no petróleo bruto.